[19|05|2010]
OPERAÇÃO DE EMERGÊNCIA

Pecuaristas terão milho mais barato

Reunião semanal do Agropacto discutiu alternativas de emergência para garantir pecuária durante a seca

Agropacto discute estratégias para viabilizar milho com menor preço para a pecuária no Interior do Estado

Fortaleza. Reduzir o preço da saca de 60kg do milho para R$ 22,14 - por meio do chamado Preço Balcão, que atualmente chega a custar R$ 38,00 em algumas regiões - durante nove meses, de junho de 2010 até março de 2011, manter uma oferta de, no mínimo, 5 mil toneladas/mês, distribuída conforme a representatividade da pecuária nas áreas de atuação, usar o cadastro da Agência de Desenvolvimento Agrário do Estado (Adagri), para identificar o número de animais em cada propriedade e acatar a cota de compra entre 60 a 14 mil quilos de milho por produtor.

Estas foram algumas das propostas apresentadas ontem, pelos produtores rurais, por meio de seus sindicatos, federações e associações, durante a reunião semanal do Pacto de Cooperação da Agropecuária (Agropacto), em Fortaleza.

O gerente de operações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), José Afonso Cavalcante, considerou as propostas viáveis de serem implementadas. Somente na avicultura serão necessárias 420 toneladas de milho/ano.

Conforme estabelecido na reunião, coordenada pelo vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Flávio Saboya Neto, será desenvolvida uma verdadeira "operação de guerra", com a participação de diversos órgãos como Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), Ematerce, Adagri, Conab, Fetraece, OCB, Delegacia Federal de Agricultura do Ceará, representadas na reunião.

A Assembleia Legislativa esteve representada pelo deputado Cirilo Pimenta, que destacou a importância de se tomar uma decisão urgente. Segundo destacou, já está faltando milho em várias regiões do Estado.

O gado começa a sofrer as consequências, já que haverá uma perda de cerca de 85% da safra em todo o Estado. "Esta logística, que vem sendo costurada desde fevereiro com o Ministério da Agricultura e Pecuária, tem que entrar em prática o mais rápido, antes do mês de junho", disse ele.

O mesmo grupo esteve em audiência semana passada no Ministério da Agricultura, em Brasília, quando ficou acordada implantação de uma política diferenciada de preço ao produtor cearense, a exemplo do que ocorreu ano passado no Rio Grande do Sul.

Organização

Além dos oito postos da Conab, em Maracanaú, Sobral, Juazeiro do Norte, Russas, Tauá, Crateús e Iguatu, serão utilizados os 17 Postos de atendimento, 71 escritórios e 18 regionais da Ematerce para que o milho possa chegar com mais rapidez na porta da fazenda. A preocupação é fazer com que tudo funcione a contento.

"Para isto, o produtor tem que se organizar por meio de suas entidades representativas de classe", disse Flávio Saboya. "Não há a menor condição de se entregar o milho na porta do produtor, esta realidade tem que ser enfrentada de forma organizada", completou.

Para isso, ele sugeriu ainda a criação de mais cinco postos de distribuição, que está sendo discutida com a Ematerce e prefeituras municipais.

O diretor-técnico da Ematerce, Walmir Severo Magalhães, detalhou para os presentes o plano traçado pelo Governo do Estado para socorrer os produtores com a comercialização e distribuição do milho e como será viabilizado o acesso dos produtores aos estoques.

 

Fonte: Jornal Diário do Nordeste


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