
Segmento de calçados e artigos de couro registrou uma elevação na produção na indústria cearense no patamar de 15,9%, segundo dados do IBGE de abril
Com demanda elevada, expectativa é de que o motor da indústria no Estado mantenha seu ritmo em alta
Depois de dois meses de queda em sua produção, a indústria cearense se recuperou e elevou o seu ritmo em abril último, atingindo uma alta de 2,5% sobre o mês anterior. O resultado é o segundo melhor do País, ficando atrás somente do registrado em Goiás, que teve incremento de 4,5% em sua produção industrial. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Dos 14 locais investigados pelo IBGE, sete apontaram recuo na indústria, deixando a média nacional com um decréscimo de 0,7%, puxada principalmente pelas quedas no Paraná (-14,7%), Amazonas (-4,2%) e Rio de Janeiro (-3,4%).
Nordeste
A região Nordeste, após cinco meses de expansão da produção, ficou estável em abril (0,0%), em comparação com março. Pernambuco e Bahia, que também foram analisados individualmente, tiveram quedas de 2,6% e 0,3%, respectivamente. De acordo com o coordenador de Economia e Estatística do Instituto de Desenvolvimento Industrial (Indi), Pedro Jorge Ramos, o incremento da produção industrial cearense vem a reboque da ampliação dos investimentos que estão sendo feitos no Estado. "Os investimentos influenciam a demanda para a indústria, além de criar renda para a população pressionar ainda mais o setor. É um ciclo virtuoso para a economia", afirma o coordenador. Segundo Ramos, o acréscimo de 2,5% entre um mês e outro, por mais que pareça pequeno, é bastante significativo. "Isso mostra que a economia está crescendo muito bem". Já no comparativo com abril do ano passado, a produção da indústria cearense teve acréscimo de 14,4%, a sexta taxa positiva seguida. Apesar de alto o porcentual, ficou abaixo da média nacional (17,4%) e do Nordeste (20,5%).
O que influenciou positivamente no indicador mensal da indústria cearense foram os resultados positivos de oito das dez atividades industriais, com destaque para alimentos e bebidas, com alta de 15,5%.
O segmento obteve este desempenho em função do aumento na produção de castanha de caju torrada, refrigerantes, cervejas e chope. A indústria de produtos químicos, por sua vez, também registrou bons índices de produção: cresceu 41,9%, motivada pela maior produção de tintas e vernizes para a produção e de vacinas para medicina veterinária. Por conta do aumento da produção de calçados de plástico e de couro, ambos para uso feminino, o segmento de calçados e artigos de couro teve alta na produção de 15,9%. Já o setor têxtil obteve incremento de 7,9%, alavancado pelos tecidos de malha e fios de algodão.
Queda do vestuário
As únicas quedas vieram os segmentos de vestuário e acessórios (-17,5%) e refino de petróleo e produção de álcool (-7,7%). A razão para o mal desempenho do primeiro foi a menor produção de calças, bermudas e shorts de malha de uso masculino; já para o segundo, foi a menor produção de gasolina. No acumulado do ano, o Ceará avançou 15,3% em sua produção industrial, puxado pelas altas de oito dos dez setores. Destaque para calçados e artigos de couro (26,1%), produtos químicos (50,8%) e têxtil (13,3%). As quedas vieram, mais uma vez, de refino de petróleo e produção de álcool (-12,8%) e vestuário e acessórios (-4,9%). O resultado acumulado é maior que a média nordestina (13,7%), mas abaixo da brasileira (18%).
Expectativa
O coordenador do Indi acredita que, já a partir do mês de maio, a pesquisa mostre um resultado um crescimento obtido na produção industrial cearense superior a 6%, mantendo-se sempre acima da média nordestina. "A alta deve continuar, porque os investimentos estão sendo realizados, tanto do PAC, do Governo Federal, como pelas obras do setor público estadual, que não têm como parar", analisa.
Fonte: Jornal Diário do Nordeste