[05|02|2010]
DOBRAM EMPREGOS EM MPEs

Dobram empregos em MPEs

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Atualmente, o Ceará contribui com 4,3% da força de trabalho das empresas de pequeno porte do País

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No Estado, o número de funcionários atuando em pequenas empresas pulou de 637 mil para 1,3 milhão em 20 anos

São Paulo/Fortaleza A quantidade de postos de trabalho em empresas cearenses com até 10 funcionários mais que dobrou nos últimos 20 anos, de acordo com levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgada ontem. No Estado, o número de empregos nas pequenas empresas, de 1989 a 2008, passou de 637.087 para 1.298.006, uma expansão de quase 104%.

Para o IPEA, o crescimento ocorreu a partir de duas vertentes. De um lado, a economia desfavorável do fim e início das décadas de 80 e 90, respectivamente, ampliaram o papel do pequeno negócio para abrigar a mão-de-obra excedente. Por outro, houve expansão das pequenas empresas com a reestruturação das grandes e a reformulação da função do Estado (privatizações e terceirizações, entre outros).

O Ceará, atualmente, contribui com 4,3% da força de trabalho ativa nas empresas de pequeno porte brasileiras. Apesar da evolução dos postos de trabalho nestes empreendimentos, a participação estadual apresentou um leve decréscimo ante a registrada em 1989. Há 20 anos, era de 4,4%. Outra subtração ocorrida de 1989 a 2008 foi com relação ao rendimento médio dos trabalhadores das pequenas empresas. Em 1989, os funcionários cearenses possuiam remuneração média de R$ 503,01. Em 2008, o valor caiu para R$ 496, uma redução de 1,39%.

Evolução nacional

No Brasil, a cada três ocupações abertas no setor privado não agrícola, duas foram em pequenas empresas com até dez funcionários. A pesquisa do Ipea aponta que, em 2008, os empregados em pequenos negócios representavam 27,1% do total de trabalhadores assalariados do País. Já os empregadores correspondiam por 78% do total de empresários e postos de trabalho por conta própria.

O instituto mostra ainda que, em 2008, a renda média dos ocupados nestes estabelecimentos foi de R$ 902,10, sendo R$ 633,03 para os empregados assalariados, de R$ 2.607 para empregadores e R$ 807,34 para trabalhadores por conta própria. Contudo, somente 29,4% do total de vagas em negócios com até dez trabalhadores tinham alguma proteção pela atual legislação trabalhista. Entre os ocupados por conta própria, apenas 16,7% estavam amparados pela lei. Já entre os assalariados o percentual foi maior, de 40,8%, e entre os empregadores ficou em 55,8%.

Baixa remuneração

Segundo o estudo, "a presença de ocupações precárias e de baixa remuneração continua a ser um dos problemas estruturais que atingem os pequenos negócios no Brasil". Dentro dos pequenos empreendimentos, 18,7 milhões eram trabalhadores por conta própria (48,7%), 16,5 milhões eram empregados assalariados (43%) e 3,2 milhões eram empregadores (8,3%). Em relação a jornada de trabalho, 15,4 milhões (40,3%) trabalhavam mais de 44 horas por semana. Já no quesito escolaridade, apenas 10,8% dos ocupados tinham ensino superior, completo ou incompleto. A maioria possuía ensino fundamental, 48,2%, e outros 41% estavam no ensino médio.

Perspectivas

Sobre as perspectivas para os próximos anos, o instituto de pesquisa aponta que até 2020 há possibilidade de geração de 19,3 milhões de ocupações no setor não agrícola, sendo que mais da metade será nos pequenos empreendimentos.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste


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